terça-feira, 10 de novembro de 2009
mostra das oficinas 2009
terça-feira, 20 de outubro de 2009
estréia conjugado
teatro/música/poesia
Quais são os verbos que repetimos todos os dias, com pronomes diversos? Resolvemos conjugá-los juntos. Nós , vindos de outros coletivos de teatro e música - Cia. Estável de Teatro, Dolores Boca Aberta e Nhocuné Soul – nos juntamos sob a égide da vagabundagem, do papo preguiçoso, mas certeiros no conteúdo: que espaços são esses que ocupamos, conjugando trabalho, afeto, transporte, corpos, fomes, tetos e paredes? Nossos olhares e experiências, plantadas e colhidas na periferia, serviram de medida para as perguntas que nos lançamos e moveram essa criação. Do poema que virou música, da cena que brincou dança, do discurso que se encarnou ação, erigimos um espetáculo de belas pedras, feito colar, encadeadas no mesmo fio, mas ainda assim sendo parte. Todo o trabalho se deu de forma coletiva, com material já criado por nós e parceiros ou trazido a partir das discussões que travávamos.
Aqui desfilam personagens e canções representativos de uma situação social naturalizada pelas relações de poder, geográficas, de gênero, da mídia, entre outras. Sobre tapetes trançados com fios de resto, dentro de roupas de retalho, tecendo tramas de algodão, som e prosa, discorremos dores e delícias. Nem tão suave que aliene, nem tão duro que desarticule.
Agora este espetáculo (que é um show que é uma peça que é...) é a cara de um verbo. Seja ele qual for, conjugado por NÓS. Inclusive você.
SINOPSE
Com cenas, músicas e poesias, esta criação versa sobre os espaços que ocupamos, compartilhando trabalho, afeto, transporte, tetos e paredes. Criação coletiva com membros de grupos artísticos cujo trabalho está vinculado com à periferia – Dolores Boca Aberta, Cia Estável e Nhocuné Soul.
FICHA TÉCNICA
Conjugado:
Andressa Ferrarezi
Luciano Carvalho
Osvaldo Hortencio
Renato Gama
Tati Matos
Uns que vêm: Juninho Batucada
Ronaldo Gama
Cenário e adereço: Conjugado
Iluminação: Luciano Carvalho e Conjugado
Figurino: Andressa Ferrarezi e Conjugado
Costureiras: Vera Lúcia e Maria Nilce
Parcerias: Danilo Monteiro, Érica (comuna urbana de Jandira - MST), Fábio Resende, João Campos, Marcelo Rio, Naiman, Tita Reis.
Design Gráfico: Marcelo Meniquelli
Conjugado. Com integrantes do Coletivo Dolores Boca Aberta, Cia. Estável de Teatro e Nhocuné Soul. Criação coletiva. Duração - 90 minutos. Classificação - 14 anos. GRÁTIS. Temporada - de 23 de outubro a 27 de novembro de 2009. Sextas às 21h. Local -CDM Patriarca, Rua Frederico Brotero, nº60 (Metrô Patriarca ZL - entre a escola José Bonifácio e o Posto de Saúde) Informações - (11) 8742-3775 / (11) 8524-8938 / (11) 8262-8479. Capacidade - 30 lugares.
Como chegar:
Metrô Patriarca. Descer rampa sentido Radial. Direita na Av. Cachoeira Paulista. Esquerda na rua Porto da Folha. Direita na Praça Araruva até Av. Patrocinio Paulista. Direita na Rua Tito Novaes. Esquerda na Rua Doutor Frederico Botero que é a rua do CDM.
AGRADECIMENTOS:
Aos demais integrantes desses coletivos (Dolores, Estável, Nhocuné) e parceiros, Amanda Catarucci, André Luís Henriques, Dirce Ane de Melo Sobrinho, Kauê de Mateo, Ligéa de Mateo, Maria Eunice, Maria Lucia Sarrion, Maria Luiza, Maria Nilce Pereira, Paulo Arcuri e Xandi Gonça.
Contatos:
www.doloresbocaaberta.blogspot.com
www.territorioestavel.blogspot.com
http://www.myspace.com/nhocune
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
dolores em cartaz - a saga do menino diamante

Todos os sábados as 22H na Rua Doutor Frederico Brotero,60 prox ao metro patriarca.
Espetáculo/Festa A saga do menino Diamante, uma ópera periférica.
Duração de 6 ahoras de espetáculo.
Em caso de chuva nao haverá espetáculo
Vir agasalhado e com roupas confortáveis
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
filme + debate - à margem da imagem, com evaldo mocarzel

Ano de lançamento ( Brasil ) : 2003
Direção: Evaldo Mocarzel
Atores: Moradores de rua
Gênero:Documentário
Duração: 01 hs 12 min
Sinopse:
Documentário sobre as rotinas de sobrevivência, o estilo de vida e a cultura dos moradores de rua de São Paulo, abordando temas como exclusão social, desemprego, alcoolismo, loucura, religiosidade e, como sugere o próprio título, o roubo da imagem dessas comunidades, promovendo assim uma discussão ética dos processos de estetização da miséria.
Evaldo Mocarzel
Documentarista nascido em Niterói em 1960, formou-se em jornalismo e cinema pela Universidade Federal Fluminense. Em 1999, dirigiu seu primeiro curta, Retratos no parque. Participou, na década de 1980, de cursos com profissionais do meio, ente os quais Doc Comparato, José Louzeiro, Joaquim Pedro de Andrade e Domingos Oliveira. Em 2001, realizou o curta À margem da imagem, que dois anos depois viria a ganhar uma versão em longa-metragem. O curta e o longa arrecadaram 19 prêmios dentro e fora do país, entre eles duas menções honrosas no Festival de Oberhausen (o curta), e melhor documentário no Festival de Gramado (o longa). Em 2004, dirigiu o longa Mensageiras da luz – Parteiras da Amazônia, sobre um grupo de parteiras do estado do Amapá, que ganhou prêmios nos festivas de Belém (filme e direção), Recife (especial do júri), Bahia (especial do júri), entre outros. Este projeto também teve duas versões: uma com 15 minutos e outra com 72, exatamente como aconteceu com À Margem da Imagem. Em 2005, fezDo luto à luta, sobre pessoas com Síndrome de Down, filme que estreou no 10º É Tudo Verdade e ganhou prêmios nos festivais de Recife (melhor documentário, filme, diretor, montagem, fotografia, prêmio da crítica e prêmio do público), Belém (melhor diretor e montagem), Gramado (prêmio do júri) e Rio (melhor filme pelo Júri popular). No mesmo ano, lançou o longa À margem do concreto, sobre os sem-teto e os movimentos de moradia na cidade de São Paulo, no Festival de Brasília, onde ganhou os prêmios de melhor filme pelo júri popular, melhor som e o prêmio especial do júri. O filme é a segunda parte de uma tetralogia de longas documentais sobre estratégias de sobrevivência à margem da Grande São Paulo iniciada em À margem da imagem. Em 2006, apresentou na seleção oficial do Festival de Brasília o documentário Jardim Ângela, sobre o bairro paulista que registra altos índices de violência. Em 2007, lançou no Festival do Rio Brigada pára-quedista, que acompanha a vida dos militares desta tropa e a visão que eles tem do próprio cinema. Em 2008, À margem do lixo, terceira parte de sua tetralogia, levou o prêmio especial do júri e prêmio do júri popular do 41º. Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Seus próximos projetos, sempre em tecnologia digital, são os documentários Cinema dos meus olhos, sobre a mostra de cinema de São Paulo, BR-3, filmagem da peça de teatro homônima, e Cineastas de Periferia, onde registra a visão de jovens diretores egressos de oficinas de cinema.
Exibição seguida de debate com o realizador Evaldo Mocarzel.
Rua Dr. Almeida Lima, 900 – Brás (Próximo à estação Bresser-Mooca do Metrô, entre o Museu da Imigração e a Universidade Anhembi-Morumbi).
Informações - (11) 8121 2070 / (11) 8708-9563.
Entrada: 1 kg de alimento não perecível.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
tuov na estável

mst exibe e debate "zona crítica" na estável
apoio ao s.o.s. flávio império - cia. estável
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
sapatos brancos - espetáculo de dança no arsenal
Espetáculo de dança contemporânea “Sapatos Brancos”
Núcleo artístico Luís Ferron
Cia. Estável de Teatro e Arsenal da Esperança recebem novamente o espetáculo de dança contemporânea Sapatos Brancos, dirigido por Luis Ferron, até domingo.
A apresentação, contemplada com o VI edital de Fomento à Dança, investiga as tradições do carnaval paulistano.
São retratadas as escolas de samba e, especialmente, o ritual presente na dança do Mestre Sala e da Porta Bandeira, explorando a riqueza do ritual e do gestual que compõem a dança dessas figuras centrais do carnaval.
Sapatos Brancos – Dias 10 (sábado) e 11 (domingo) de outubro às 20h.
Arsenal da Esperança
Rua Dr. Almeida Lima, 900 – Brás.
(Próximo à estação Bresser-Mooca do Metrô, entre o Museu da Imigração e a Universidade Anhembi-Morumbi).
Informações - (11) 8121 2070 / (11) 8708-9563.
Entrada: 1 kg de alimento não perecível.
Em caso de chuva forte não haverá espetáculo.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
s.o.s. flávio império
2º cortejo livre leste

2º Cortejo Livre Leste
Em apoio ao Movimento de Moradia da Várzea do Tietê e Por Justiça no Processo de Desapropriação
Dia 03 de outubro
Concentração às 13h45min, na Estação Itaim Paulista da CPTM
Apresentação do Grupo Buraco d'Oráculo com o espetáculo Ser-Tão-Ser, Narrativas de Outra Margem
O Livre Leste é um movimento de união de grupos de circo, música, dança, performance e teatro da periferia leste paulistana, para intervenções artísticas em espaços públicas. Mais informações em
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
sobreposição1 - brava/estável
NOSSO ENCONTRO
Nós da Brava Companhia formamos um grupo de teatro, sediado na zona sul de São Paulo, cuja pesquisa teatral consiste, entre outras coisas, no trabalho do ator (o corpo, o jogo e o improviso) e na relação deste com os espaços onde a pesquisa se desenvolve (hoje, no Sacolão das Artes, ocupação cultural no Parque Santo Antônio) e pelos quais a companhia se apresenta, possibilitando, dessa forma, um canal de diálogo aberto com o público que a acompanha.
Assim como a Brava Companhia outros grupos de teatro também desenvolvem pesquisas teatrais com o intuito de manter viva a relação com o seu público, entre esses está a Companhia Estável, grupo de teatro sediado no Albergue Arsenal da Esperança, zona leste de São Paulo, o qual nos convidou para uma troca de experiências que aconteceu durante seis dias de encontros no seu espaço.
O objetivo dos encontros era aproximar artisticamente os dois grupos, e estes das pessoas que residem no Arsenal da Esperança. Para tanto, nós da Brava Companhia fizemos um cronograma de trabalho dentro do qual disponibilizamos, por meio de provocações musicais, corporais e cênicas, um pouco da nossa investigação relacionada ao trabalho do ator, e da pesquisa específica para a montagem do nosso próximo espetáculo, cujo tema é Imagens que nos Cercam, Imagens que nos Cegam.
No decorrer dos encontros os grupos discutiram questões relacionadas especificamente ao teatro e outras acerca do tema e de como ele se inseria naquele local e no mundo como um todo. Isso rendeu à Brava Companhia mais conteúdo para reflexão, que, direta ou indiretamente, estará presente no nosso próximo espetáculo: O Errante. Além disso, montamos algumas cenas, que foram aproveitadas na apresentação do resultado dessa vivência, e outras que ficaram registradas em vídeo e fotos.
Um dos fatores importantes dessa experiência foi a exploração do espaço do Albergue. Começamos os nossos trabalhos em uma sala, mas depois eles se expandiram por corredores e escadas do Arsenal, além do pátio externo e da quadra. Esse fato abriu as portas para um caminho de diálogo entre todos: nós da Brava Companhia, a Companhia Estável e os internos do Albergue. Exemplo concreto disso era a reação daqueles que nos assistiam: alguns participavam, outros estranhavam, houve até um que, em um momento de preparação de um exercício, chamou o Fábio, integrante da Brava Companhia, e começou contar-lhe uma história que deixou o ator impressionado. De alguma forma, todos os internos do Albergue que acompanharam os exercícios ou assistiram ao fechamento desse período de encontros mantiveram uma relação com a intervenção dos grupos naquele espaço.
No último dia de encontro, estávamos recheados de sensações colhidas pelo caminho por nós percorrido durante essas duas semanas. Muita gente assistiu ao exercício final, fruto de tudo o que foi plantado nos encontros. No final da pequena apresentação, nos dispusemos em uma roda para conversarmos, da qual faziam parte alguns internos cujas impressões foram divididas conosco, o que foi uma experiência e tanto para todos nós.
Enfim, essa vivência de seis dias no Arsenal da Esperança foi de suma importância para a Brava Companhia e para cada um dos seus integrantes, tanto no campo profissional quanto pessoal, pois esses dias nos legaram muito material com o qual podemos trabalhar e, agora, também, muitas inquietações. Pudemos, nesse espaço de tempo, aprender muito uns com os outros. Nós da Brava Companhia, por exemplo, aprendemos e aumentamos nosso vocabulário: Já sabemos o que significa “boca de rango”.
Nossos agradecimentos à Companhia Estável pelo convite e a todos os internos do Arsenal da Esperança que acompanharam as nossas intervenções naquele espaço.
Maxwell Raimundo
Brava Companhia
SOBRE A SOBREPOSIÇÃO
Quando estávamos em fase de formulação do projeto Sobreposições pensamos em materializar um desejo antigo que consistia na proposição de uma troca de experiência estética com outros coletivos teatrais.
Parceira em várias frentes, marchas, ocupações e discussões políticas que muito nos dizem respeito, a Brava Companhia foi um dos grupos convidados por nós nesta tentativa de nos entendermos enquanto artistas que pretendem interferir de forma mais responsável e contundente na sociedade da qual fazem parte.
Convite aceito, programamos, conjuntamente, seis encontros repletos de questionamentos e procedimentos objetivando, assim, estreitar nossos laços enquanto grupos parceiros e pensadores de arte.
A primeira coisa que deve ser louvada é a dedicação e entrega com a qual os integrantes da Brava conduziram o processo. Processo, este, nada fácil se pensarmos no pouco tempo de duração dos encontros e na ousadia da proposta. Pretendíamos, ainda, que esses treinos resultassem em uma intervenção cênica para ser apresentada para os moradores do Arsenal.
Em recente avaliação sobre os encontros, decidimos que dois pontos principais mereciam ser discutidos: o compartilhamento de técnicas teatrais entre os dois grupos e o resultado cênico apresentado.
Quanto ao primeiro, percebemos que, ao contrário dos bravos (inveja boa), nos falta um certo rigor no que diz respeito a um treinamento constante e objetivo em nossas práticas diárias.
Entretanto, aprofundando um pouco mais a discussão, fomos entendendo que a necessidade urgente de uma base teórica mais aprimorada, além, de uma pequena tendência ao “deixar rolar”, foi o que nos afastou, temporariamente, do saudável treino cotidiano.
Pensando nisso e no futuro, duas questões importantes nos lançam o seguinte desafio: como unir estudos práticos e teóricos sem perder a unidade que deve caracterizar um grupo de teatro? Como fazer um treinamento que respeite as características, interesses e limitações de cada corpo, sem cairmos na tentação de formalizar um jeito “ideal” para colocar-se em jogo?
Nossos parceiros atores, certamente, nos trouxeram mais uma possibilidade técnica para o nosso dia-a-dia. E, se toda técnica teatral pode servir para solucionar problemas de cena e comunicação, a ampliação do repertório de jogos e a diversificação dos treinos devem fazer parte da busca por uma unidade e aprimoramento artístico dos grupos.
Com relação ao segundo ponto da discussão, nossa avaliação passou por momentos mais delicados.
A partir de estímulos propostos pelos bravos, elaboramos algumas pequenas cenas improvisadas motivadas pelo tema que se aproximava da espetacularização da vida. Tema, este, que faz parte do próximo espetáculo da Brava Companhia.
Isoladamente, as cenas trouxeram elementos interessantes. No entanto, quando foi proposta uma “costura”entre as cenas, o conteúdo perdeu-se nas idéias.
Por tratar-se de uma experimentação cênica, isto não seria um grande problema. Mas, como o objetivo final era promover uma interferência junto aos moradores do arsenal percebemos que teríamos que ter debatido mais sobre o que realmente pretendemos com essas intervenções.
Muitas questões precisam e merecem ser debatidas e evidenciadas com experimentos estéticos. No arsenal, quais são elas? O que realmente queremos propor aos nossos mil cento e cinquenta interlocutores?
Muitas perguntas e uma ânsia de respostas permeiam agora, após esta primeira e contundente troca de experiências, nosso corpo e consciência.
No mais, viva a experiência. Merda, sempre, para todos nós!
Daniela Giampietro
Companhia Estável de Teatro
moção de apoio - elt em alerta

Nós da Cia. Estável de Teatro apoiamos o MOVIMENTO ELT EM ALERTA! de trabalhadores da cultura, pois entendemos que suas reivindicações são legítimas e de interesse de todo o povo brasileiro, pois lutam em prol da preservação do projeto artístico-pedagógico original da Escola Livre de Teatro em Santo André e contra os privilégios criados pela privatização da cultura.
Nossa participação na ocupação artística é um ato simbólico contra a atitude descabida da demissão, sem justificativas, do coordenador Edgar Castro, eleito democraticamente pelo coletivo de mestres e professores, ferindo assim as normas que regem o projeto artístico-pedagógico original.
Todo apoio à ocupação da ELT!
22 de setembro de 2009
Cia. Estável de Teatro
http://www.territorioestavel.blogspot.com/
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
o auto do circo - 2009
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
quatro grupos aliados e o mst
Nós – Brava Companhia, Cia. Estável de Teatro, Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes e Engenho Teatral – somos coletivos teatrais afastados do tradicional centro de circulação, dialogamos com a periferia e ou residimos nela. Nosso público é a classe trabalhadora.
Defendemos que os meios de produção teatrais devem estar sob o controle dos trabalhadores artistas realizadores das obras, organizados em grupos, em coletivos, sem a presença de patrões.
Essas opções se prendem às nossas origens e aos estudos que nos revelam o funcionamento do capitalismo como um sistema de acumulação privada das riquezas do mundo nas mãos de poucos, o que gera miséria para a maioria, os trabalhadores, incluindo a nós, trabalhadores artistas. É para lutar contra isso que assumimos o controle da nossa produção, da nossa criação teatral e tentamos gerar pensamento, cultura e arte contra o pensamento, a cultura e a arte dominantes que alimentam a manutenção desse estado de coisas.
Mas essa não é uma tarefa que podemos realizar isolados. E ela coloca em risco nossa própria sobrevivência como coletivos: nossos inimigos são poderosos e nossa luta não pode se limitar à disputa ideológica, cultural, artística.
Com a crise generalizada do capital, todos os trabalhadores pagam a conta da concentração das riquezas. Os fundos públicos são raspados para salvar corporações falidas que embolsam os recursos devidos não só à reforma agrária ou urbana, à educação e à saúde, mas também à cultura. Apesar da falência, a cultura dominante insiste no discurso de que não há saída sem o agronegócio, as multinacionais, os bancos, a indústria cultural, os donos do mundo. Mas somos nós que dependemos deles para viver ou eles que dependem de nós para forrar seus cofres?
Por aí marchamos, junto aos nossos pares, contra a negação das gentes, rumo ao socialismo.
Brava Companhia - Cia. Estável de Teatro,
Dolores Boca Aberta Mecatrônica de Artes - Engenho Teatral
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
os três porquinhos - oficina de produção de texto

Uma bela manhã, na frente da fábrica houve um tumulto de repórteres e operários, todos querendo ouvir o que o porquinho da casa de palha, que de cima de um carro de som protestava:
- Caros companheiros, vocês não vêem o absurdo a que estamos expostos? Essa fábrica explora nosso trabalho até nos consumir como matéria prima. Vivemos em uma terrível e constante forma de canibalismo, mascarada pelo processo de industrialização que nos tira a forma que temos em vida, e nos coloca dentro de caixas, como produto nas prateleiras dos supermercados...
Nesse momento os cães policiais dispensaram a manifestação e da janela do escritório, observando o tumulto com olhar de reprovação estava o porquinho do chalé de madeira:
-Esse meu irmão é um vagabundo, a vergonha da família, querendo destruir a própria família! Trabalhando, como eu fiz, sairia logo da linha de produção e estaria em um cargo melhor. É preciso ter obstinação e foco. Em vez de ler aqueles livros cheios de utopias, poderia ter dedicado um pouco de tempo a encontrar o caminho do sucesso!
Na confortável mansão de tijolos o silêncio é quebrado por um grito:
-Porco maldito! Quer me difamar, até uma oportunidade a esse animal eu concedi e agora me apunhala pelas costas! E aquele outro que não faz nada? Deve estar nisso também, estão esperando a hora certa de me passar a perna!
Então, o rico leitão sai correndo em direção de sua fábrica, contudo, quando estava deixando sua propriedade foi surpreendido por um lobo faminto que estava prestes a lhe transformar em uma refeição. O porco, em um ato de sangue frio, que convêm a todo bom porco de negócios, viu naquela adversidade uma oportunidade e tentou argumentar com seu predador:
- Espera, antes de fazer qualquer coisa eu tenho uma proposta para você. Sou dono da Porcos Sorridentes Alimentícios e tenho um plano que pode ser conveniente para nós dois, podemos ser parceiros. Se você me comer só matará momentaneamente sua fome, e amanhã?
O lobo pára sua investida e começa a prestar atenção no que o suíno dizia e responde:
- Resolvi aceitar esse papel que está empurrando para as minhas mão se nos tornarmos realmente iguais, “parceiros”, estou com saco cheio de seguir regras que são só funcionais e boas para vocês porcos e porcas, quero ter o poder de vocês, o luxo, a força que vocês têm para dominar minha espécie, excluí-la e classificá-la. Eu quero estar no topo saciar minha fome, minha ganância, meu ego, quero o melhor que o mundo tem para oferecer.
Um aperto de patas sela o acordo.
Em uma manhã qualquer comendo bacon com ovos no café da manhã o porquinho vê na primeira página do jornal a manchete misteriosa: Serial killer mata mais um líder sindical.
sábado, 1 de agosto de 2009
homem cavalo no engenho
ao lado da Estação Carrão do Metro.
Confira a programação completa
Quer saber mais sobre a mostra? acesse:
quarta-feira, 29 de julho de 2009
viva, malasartes! no arsenal
Histórias de um povo de algum lugarSão duas histórias, dependentes uma da outra e que acontecem, paralelamente, em dois planos: um mundo mítico, ritualístico, e o cotidiano. No mundo mítico a história de Pedro Malasartes, senhor da esperteza e da astúcia, que é enredado por um Palhaço do sarcasmo, um emissário dos senhores do mundo. Malasartes aceita como presente um passe mágico com o qual pode adquirir tudo e realizar todos os desejos, mas seduzido pelos prazeres da posse e do consumo vai sendo destruído. No mundo cotidiano, o povo, o criador de Malasartes, enfrenta tempos difíceis. Com histórias curtas, inspiradas em alguns personagens que fazem parte do imaginário popular – o otário, o malandro e o renunciador – são mostradas as dificuldades enfrentadas no dia-a-dia com as mazelas sociais.
FICHA TÉCNICA
Coordenação geral de projeto: Marcos Pavanelli e Simone Brites Pavanelli
Coordenação de pesquisa e direção do espetáculo: Calixto de Inhamuns
Texto colaborativo e coletivo coordenado por Calixto de Inhamuns
Criadores e redatores finais dos textos do mundo cotidiano: Cibele Mateus, Nadia Milano, Nicolas Monastério, Mariana Trench, Renato Dias e Simone Brites Pavanelli
Elenco: Alessandro Gogliano, Anderson Areias, Andrea Ravanelli, Dany Ivan Choque Saire, Francisco Gaspar, Harley Nóbrega, Kelly Laser, Lena Silva, Lucas Branco, Luiza Albuquerques, Marcos Pavanelli e Mizael Alves.
Direção musical: Charles Razsl
Músicas de Calixto de Inhamuns, Charles Raszl e Margareth Darezzo
Percussão e rítmo: Alexandre Caetano
Técnico de som: Rafael Urge
Concepção de movimento: Ricardo Iazzeta
Técnicas circense: Marcos Pavanelli e Harley Nóbrega
Danças Brasileiras: Grácia Navarro
Figuninos e adereços: Cia Bonecos Urbanos : Rubens Louzada,
Malu Borges, Cristiane Santos e Paulo Dantas
Consultoria em Maracatu Rural : Carol Nóbrega
Editor: Douglas Salgado
Registro Áudio- visual: Fernando Mastrocolla
Arte gráfica: Maurício Santana
Motorista: Wilson
Assistentes de Produção: Harley Nóbrega e Kelly Laser
Produção executiva: Simone Brites Pavanelli
Produtor: Núcleo Pavanelli de Teatro de Rua e Circo
DIAS 02 E 09 DE AGOSTO (DOMINGOS) ÀS 16H.
ENTRADA: 1KG DE ALIMENTO NÃO PERECÍVEL.
Em caso de chuva não haverá espetáculo.
Arsenal da Esperança
Rua Dr. Almeida Lima, 900 – Brás
(Próximo à estação Bresser-Mooca do Metrô)
(Entre a Universidade Anhembi-Morumbi e o Museu da Imigração).
Informações - (11) 8121-0870 e (011) 8708-9563.
provocar perguntas - laboratório de intervenção

Faz sentido falar da dificuldade de ser artista numa casa de acolhida onde os homens tem dificuldades cotidianas básicas?
O artista está em situação diferente dos outros trabalhadores?
Você quer ouvir o que é feio, sujo e (quase) malvado?
Intervir é só levar alguma proposta esteticamente elaborada para o espaço comum do Arsenal?
Quais as perguntas que devemos nos fazer antes de levar o trabalho para apreciação?
E quais perguntas estou levando o público a se fazer?
Perguntar é a melhor forma de colocar as coisas em movimento. Pressupõe postura crítica. Não é necessário ter respostas, mas é obrigatório ter opinião.
Então nosso trabalho é provocar perguntas.
E você, quando lê este conto, que perguntas se faz?
Coordenador do laboratório de intervenção
quinta-feira, 23 de julho de 2009
homem cavalo na zona norte
MOSTRA DE TEATRO DE RUA DA ZONA NORTE (Núcleo Pavanelli)
Sábado às 20h no parque Edu Chaves
clique aqui e veja o mapa
É a praça mais "famosa" do Bairro, a da igreja nossa senhora Aparecida.
Telefones: 6563-9842, 9746-1459 e 9746-1459
ou acesse: www.nucleopavanelli.com.br
ou no orkut
Entrada franca
vida e morte na rua - daniel de lucca para o estadão
'Mesma prefeitura que proibiu chuveiros foi responsável por rampas antimendigo', diz De Lucca
- Em 2001, o estudante baiano Daniel De Lucca Reis Costa viveu uma experiência dramática, que sintetiza a contradição que marca o seu objeto de estudo. Durante a pesquisa de campo para um trabalho sobre os moradores de rua, ele viu uma arma ser apontada para a sua cabeça por um "noia", um jovem drogado de crack, no bairro do Glicério, região central de São Paulo. Ele conta que, ainda inexperiente, travou - e não conseguia entender o palavreado recheado de gírias do assaltante. Chegou a achar que ia morrer, até a chegada de Miguel, um amigo sem-teto que fizera ao longo do trabalho. Foi ele quem fez a mediação, acalmou o rapaz e salvou-lhe a vida.
Anos depois, o pesquisador recebeu a notícia de que seu salvador "morreu de rua", no vocabulário sintomático desse universo: de frio e doenças. E dedicou a ele a dissertação de mestrado sobre o mesmo tema, que apresentou ao departamento de antropologia da Universidade de São Paulo. A Rua em Movimento: Experiências Urbanas e Jogos Sociais em torno da População de Rua (2007) discute as relações entre atores sociais, discursos e instituições situadas no centro de São Paulo.
No momento em que a Prefeitura da maior metrópole brasileira provocou polêmica ao fechar três albergues que acolhiam 1.154 moradores de rua e promoveu uma série de operações policiais para fechar a Cracolândia - área frequentada por usuários de crack nas proximidades da Estação da Luz -, provocando sua migração para outros pontos da cidade, o Aliás foi ouvir a opinião de De Lucca. Aos 30 anos, o pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), no projeto CEM (Centro de Estudos da Metrópole), diz que uma ambiguidade fundamental marca a forma como o poder público trata as populações de rua - vistas ora como questão de polícia, ora como questão social.
O alcoolismo sempre esteve associado à população de rua, mas recentemente vimos a chegada do crack, com seus efeitos devastadores. Em sua opinião os usuários devem ser tratados de maneira distinta dos demais moradores de rua?
O crack está na cidade de São Paulo faz tempo. A questão é a escala em que ele está sendo usado, que aumentou muito. Ele transformou a sociabilidade na rua. Ambos, tanto o álcool como o crack, produzem sociabilidades. E no crack ela é mais violenta, em ligação estreita com o crime, então a relação do poder público com seus usuários tende a seguir esse eixo, essencialmente repressivo. O universo da rua se caracteriza por essa ambiguidade: ora é tratado como questão de polícia, ora como questão social.
Proprietários de edifícios onde usuários de crack faziam ponto instalaram chuveiros para expulsá-los - artifício depois proibido pela Prefeitura. O caso reflete a dificuldade de se lidar com a situação?
Os chuveiros instalados para evitar a presença de moradores de rua e usuários de crack inserem-se dentro de um repertório de tecnologias urbanas para lidar com uma crescente população indesejável. Cabe lembrar que a mesma prefeitura que proibiu os chuveiros foi responsável pela construção da "rampa antimendigo" nas proximidades da Avenida Paulista, dos bancos na Praça da República que impedem que as pessoas lá se deitem e do cercamento de árvores, parques e praças em toda cidade. Moradores e comerciantes também jogam óleo queimado ou creolina nas calçadas e marquises ou contratam seguranças privados para "limpar na força" o espaço público - como tem ocorrido no minhocão da Amaral Gurgel. Tais práticas refletem uma lógica mais ampla, que não se refere só aos usuários de droga. Reforçam a ideia de que existem seres humanos de qualidades distintas que não podem conviver ou coabitar a mesma cidade.
Mas o poder público pode permitir a existência da Cracolândia?
Em geral, associamos o termo Cracolândia àquele ponto na Estação da Luz, um dos primeiros que reuniu gente ligada à droga, hoje é alvo de intensa disputa patrimonial por conta do projeto de revitalização do centro. Mas a Cracolândia não é um território, é uma territorialidade. Ela circula, migra de um lugar para outro. Há "cracolândias" espalhadas pelas favelas e periferias distantes do centro.
Se a comunicação entre o cidadão comum e o morador de rua já era difícil, o crack não leva a uma total impossibilidade de diálogo?
É especialmente difícil comunicar-se com um usuário de crack, mas também não é fácil fazê-lo com um alcoólatra ou um menino que cheira cola. Talvez a maior singularidade desses usuários de droga seja o fato de serem tratados basicamente como problema de polícia. Eles já são alvo de políticas públicas bem específicas: as de segurança. E se há entre eles dependentes graves, que roubam até o mobiliário urbano, arrancando placas e fios, para vender em troca de uma tragada - não é nem a pedra -, há os que mantêm um mínimo de estabilidade e desejam se reabilitar. O que vamos oferecer a eles? As políticas de saúde e redução de danos na região central são mínimas. A verdade é que não se quer fazer um trabalho com o usuário de crack. Ele é aquilo que não se quer ver, que queremos tirar do foco da visibilidade.
O crack pede políticas específicas?
Uma política original seria tratá-lo como questão de saúde pública, já que isso é previsto por lei e não acontece. Acho que o novo só pode vir daquilo que aí está, então temos de aprender com as experiências. E perguntar quantas unidades terapêuticas temos na cidade, como funcionam e se dão conta da demanda. Um ponto de partida fundamental seria ouvir o que os atores envolvidos têm a dizer, a começar pelos próprios usuários. E ONGs, grupos de assistência, movimentos organizados de populações de rua e de catadores de material reciclado.
O juiz Wálter Maierovitch propõe levar clínicas para a Cracolândia.
É interessante, mas não é uma ideia radicalmente nova. Há uma ONG chamada É de Lei na Estação da Luz, cuja proposta é justamente "levar a clínica para a rua". Ela enfrenta dificuldades com a polícia, que vê seu trabalho como incentivador do uso de substâncias ilícitas, e com a falta de recursos e apoio por parte do poder público atual - que parece não querer atendimento a usuários ali. Ainda que o quisesse, teríamos de pensar nas possíveis consequências. Quando se levou para lá a "Ação Luz", projeto que articulava assistência, saúde e segurança na região, a concentração de agentes sociais acabou atraindo idosos, crianças e pessoas que nem usavam drogas para o local. Foram viver no mundo do crack para ter acesso a esses serviços, que não conseguiam em outras partes da cidade. É preciso levar em conta sempre que a demanda por políticas sociais é maior do que a oferta.
Na introdução de seu trabalho, você critica a ?apresentação do morador de rua como um excluído social?. Por quê?
Não gosto do termo "exclusão" porque acho importante pensar nos vínculos que essas pessoas têm com a cidade. Eles estabelecem ligações não só com traficantes, mas com comerciantes, cidadãos comuns e, principalmente, com o lixo urbano. Hoje, o catador de lixo é um trabalhador urbano cujas condições de vida estão sujeitas às cotações do alumínio na bolsa. É peça chave na engrenagem que tornou o Brasil um dos países que mais reciclam no mundo. É preciso reconhecer que os moradores de rua estão enredados em processos complexos.
Em determinado trecho, você afirma que ?a população de rua, tal como é concebida hoje, não existiu desde sempre? no Brasil. O que quer dizer com isso?
Só para deixar claro: isso não quer dizer que não havia pessoas morando na rua antes. Desde o surgimento das cidades já havia figuras que contradiziam a ordem urbana. Junto com a ordem surge a desordem. A figura do pedinte é destacada ainda na Idade Média. Historiadores urbanos falam muito da "ordem dos mendicantes", por exemplo, religiosos que ao chegarem nas cidades eram recebidos com comida e flores. Mas eles tinham um outro lugar, socialmente. A figura como entendemos hoje aparece em São Paulo na passagem dos anos 80 para os 90, no contexto da redemocratização, das comunidades eclesiais de base e dos movimentos sociais nas periferias. É quando a igreja fala em "sofredores de rua" e as "oblatas", freiras dedicadas a obras sociais, trabalham com o "povo pobre do centro". A ideia de sofredor de rua tira um pouco a pecha de vagabundo, desajustado, que havia até então. E, nesse contexto, 1988 é o ano decisivo, quando Luiza Erundina, inesperadamente, ganha as eleições para a Prefeitura de São Paulo. Erundina é assistente social por formação, vinculada à igreja e articulada com movimentos sociais na cidade. Então, essas demandas chegam à máquina pública pela primeira vez.
É quando o morador de rua passa a ser tratado como ?questão social?.
E a partir daí a população de rua passa ser um objeto de gestão. A vida nas ruas é vista pela primeira vez não como fenômeno individual, de que a pessoa está ali porque é preguiçosa ou louca, mas como problema coletivo, estrutural.
E a mudança de nomenclatura que você aponta, de ?povo da rua? para ?população de rua?, ocorrida nesse período. O que ela sinaliza?
Embora os dois termos subsistam, o segundo ganha relevo. Em sua origem, o "povo da rua" é o "povo de Deus", tem esse caráter divino, oriundo do pensamento dessas alas da igreja, e também caráter ideológico, do sujeito histórico e político. O "povo" é aquele que faz, se movimenta, toma o poder. É, portanto, uma expressão vinculada aos ideais religiosos e marxistas. Já "população de rua", que ganha força nos anos seguintes, é uma categoria estatística, de gestão, já na chave do que chamamos de controle populacional. Não é algo para ser extirpado, mas entendido, regularizado e normatizado. Isso vem já no final do governo Erundina, quando é feita a primeira pesquisa sistemática, que resulta na publicação do livro População de Rua: quem é, como vive, como é vista (editora Hucitec, 1994). Antes dessa contagem, a estimativa era de que havia na cidade quase 100 mil pessoas em condições de rua. O resultado apurou que era muito menos: 3.500, 4 mil pessoas. E a prefeitura avalia, naquele momento, que era pouca gente, "um problema que dá para resolver". Hoje, estima-se que haja cerca de 15 mil moradores de rua em São Paulo.
Como foram essas primeiras políticas públicas e o que mudou nelas de lá para cá?
Surge, na administração Erundina, a ideia de pequenas casas de convivência, espaços de conversa, onde o morador de rua seria acolhido, alimentado, chamado pelo nome. Nas gestões Maluf e Pitta houve descontinuidade dessa política e uma opção pelos grandes albergues, capazes de recolher mais gente das ruas. Outro marco, para o bem e para o mal, vem com a administração Marta Suplicy. Com ela, retornam as demandas desses movimentos de base. E o primeiro ato de Marta como prefeita é justamente a regulamentação de uma lei de atenção à população de rua, até hoje a única existente no Brasil. O texto afirma que as pessoas em situação de rua têm direitos, são cidadãos - um enunciado à primeira vista positivo, mas de fato trágico, pois afirma legalmente a existência de um Estado de exceção. A lei reconhece que, de fato, essas pessoas não têm direitos como todo o mundo, vem para afirmar uma falta. Outra contradição: de olho no problema que crescia nas gestões anteriores, a lei diz que os albergues da Prefeitura não podem ter mais de 100 pessoas. E a administração Marta, que aprovou a lei, foi a primeira a descumpri-la. A tendência à massificação desses estabelecimentos continuou sob Serra e Kassab. Hoje, dos 35 a 40 albergues existentes na cidade, apenas cinco têm menos de 100 pessoas.
Seu trabalho critica a 'dimensão segregadora' dos albergues, mas considera que sua desativação seria 'inviável'. Como analisa a recente decisão da Prefeitura de fechar vários desses estabelecimentos?
O albergue é, na prática, a única política pública de inclusão social para a população de rua. E tem sido alvo de dois vetores exacerbados de crítica, à favor e contra. Quando a minha tese fala da "dimensão segregadora" dos albergues, não sou eu que estou falando, são os atores envolvidos, os moradores de rua que denunciam isso. Uns dizem "isso aqui é pior do que cadeia", outros chamam de "detenção", um morador chega a formular, com todas as letras, que se trata de "um campo de concentração semi-aberto". Parte da própria cobertura da imprensa ressalta, positivamente, o papel de "contenção" dos albergues. Ao mesmo tempo, há uma grande demanda por eles. Então, o ponto é antes de tudo discutir o que essa política quer resolver. É o problema do morador de rua, em posição de vulnerabilidade, ou a gestão da rua, do espaço público, à qual essas vidas trazem risco?
E qual dos dois discursos tem predominado no debate público?
A tendência, hoje, tem sido a da proteção da rua. Basta ver como os albergues são ambientes insalubres, onde se misturam deficientes físicos, drogados, mulheres grávidas, doentes psiquiátricos, moribundos, foragidos da polícia, gente que está apenas desempregada ou brigou com a mulher ontem e dormiu na rua. Até se tenta fazer um tratamento diferenciado. Mas dada a maciça demanda, as condições precárias de trabalho, a superlotação, os parcos recursos e o reduzido número de funcionários, esse atendimento, quando ocorre, tende a ser massificado. O que pode fazer um assistente social para cada 60, 70 albergados? (O sociólogo francês Michel) Foucault dizia que não se pode pensar separadamente doença mental e psiquiatria, delinquência e polícia. São fenômenos implicados, que têm sua expressão em instituições como os manicômios e os presídios. Podemos pensar nos albergues por analogia. Todo o mundo pede mais albergues e fala mal deles da mesma forma que se pede mais prisões e se fala mal delas.
fonte: http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup401509,0.htm
matérias relacionadas:
http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,o-crack-e-sua-espiral-compulsiva,401510,0.htm
http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,mais-uma-onda-de-sem-teto-a-pior,401511,0.htm
quinta-feira, 16 de julho de 2009
a dromática comédia circense no arsenal
A DROMÁTICA COMÉDIA CIRCENSE
Com a passagem de um circo, Lourdes, agora adulta e longe de sua cidade, relembra a infância e a chegada do primeiro circo na sua cidade natal. Suas lembranças se materializam e são reveladas ao público. A história que ela irá contar é a do circo que tinha como atração principal uma árvore no picadeiro. Dois símbolos aparentemente antagônicos - um representando o nomadismo (picadeiro), o outro o sedentarismo (a árvore) - unidos no mesmo número.
FICHA TÉCNICA
Cenografia: Wagner Pavarin, Joseph Motta.
Dramaturgia: Jhaíra
Iluminação: Erike Busoni
Figurinos: Rita Benitez
Assistente de figurino: Bruna Benitez
Direção: Bete Dorgan
Direção musical: Dago Feliz
Preparação corporal: Daniela Biancardi
Coreografia: Katia Naiane
Daniela Biancardi
Davi Reis
Denis Goyos
Fani Feldman
Katia Naiane
Lucia Bronstein
Melissa Panzutti
LOCAL: ARSENAL DA ESPERANÇA
(Próximo à Estação Bresser Mooca do Metrô )
HORÁRIO: 20h
quarta-feira, 1 de julho de 2009
brava na estável

A BRAVA é um espetáculo inspirado na história de Joana d’Arc que propõe uma reflexão sobre os objetivos, rumos e escolhas de cada indivíduo, e a sua postura frente às conseqüências destas escolhas.
Nesta montagem da Brava Companhia, a saga da heroína francesa é mostrada de forma épica, se valendo de recursos como a música e a interação com a platéia e referências da cultura popular e da cultura pop, agregadas a situações cênicas que exploram o drama e um humor anárquico, para construir paralelos com os dias de hoje.
As “vozes” ouvidas por Joana tornam-se símbolos que podem ser interpretados como a crença em sonhos ou a ousadia de trilhar caminhos contrários a padrões pré-estabelecidos pela sociedade. Suas batalhas assemelham-se as nossas lutas contra os obstáculos do dia-a-dia na busca pela felicidade.
A BRAVA
dia 05/07 às 18h
Duração: 1h30
Arsenal da Esperança
Rua Dr. Almeida Lima, 900 - Mooca
(Próximo à Estação Bresser Mooca do Metrô )
EM CASO DE CHUVA NÃO HAVERÁ ESPETÁCULO
INGRESSO: 1KG DE ALIMENTO NÃO PERECÍVEL
Informações:
(011) 4112-3903
(011) 8121-0870
(011) 8708-9563
http://www.blogdabrava.blogspot.com/
terça-feira, 30 de junho de 2009
quarta-feira, 24 de junho de 2009
próximas apresentações - homem cavalo & sociedade anônima
Dia 09/07
MOSTRA CENA DE TEATRO
Quinta-feira (Feriado) às 20h em São Caetano do Sul.
Centro de Referência da Juventude Estação Jovem
Endereço: Rua Serafim Constantino, Centro - São Caetano do Sul
Telefone: 4226-5518 (Ao lado da Estação de trem de São Caetano)
clique aqui e acesse a programação completa.
Entrada franca
Dia 25/07
MOSTRA DE TEATRO DE RUA DA ZONA NORTE (Núcleo Pavanelli)
Sábado às 20h no parque Edu Chaves
clique aqui e veja o mapa
É a mais "famosa" do Bairro, a da igreja nossa senhora Aparecida.
Telefones: 6563-9842, 9746-1459 e 9746-1459
ou acesse: www.nucleopavanelli.com.br
ou no orkut
Entrada franca
AGOSTO
Dia 08 e 09/08
MOSTRA ENGENHO TEATRAL
Sábado e domingo às 19h (Ao lado do metrô Carrão)
clique aqui e acesse a programação completa
Endereço: Rua Monte Serrat, 230 - Tatuapé - São Paulo
Telefone: 6192-8865
Entrada franca
quinta-feira, 18 de junho de 2009
trupe do trapo
Espetáculo: “A máscara da Liberdade”
Espetáculo cênico-musical de inclusão social.
Dias: 20 e 21 de junho de 2009 (Sábado e domingo) às 19h00 na Lona Estável.
Entrada: 1 Kg de Alimento não perecível.
Depois de muitos anos de trabalho em um circo, um velho palhaço fica preso à própria maquiagem. Com risco de perder sua família, que não o reconhece mais, o velho palhaço sai em uma jornada de auto-conhecimento para conseguir se livrar de sua máscara. Uma história sobre palhaços... e sobre pessoas.
Apoiado em teorias de Jung sobre o conceito da “persona”, o espetáculo é o resultado dos segundo e terceiro ano de trabalho da Trupe do Trapo, grupo cênico-musical que visa estimular a inclusão social de pessoas com deficiências através da música e do teatro.
Ficha Técnica
Texto: Criação Coletiva da Trupe do Trapo
Dramaturgia e Direção Cênica: Sérgio Zanck
Músicas, Arranjos e Direção Musical: Viviane Louro
Assistência de Direção e Preparação Corporal: Fabiana Louro
Preparação Vocal: Alex Andrade
Preparação Circense: Cia. Estável de Teatro
Maquiagem: Letícia Salis
Figurinos: Letícia Salis, Lando Melo e Trupe do Trapo
Cenário: Sueli Inamorato e Trupe do Trapo
Iluminação: Sérgio Zanck e Débora Ishikawa
Equipe Técnica: Alex Andrade, Débora Ishikawa, Fabiana Louro, Felipe Zack, Letícia Salis, Lílian Baraçal, Nathan Jeremias, Sueli Inamorato.
Produção: Sérgio Zanck e Viviane Louro
Elenco: Alexandre Gomes, Eduardo Dantas, Caio Ogawa, Ítalo Ravelle, Renan Vernon, Pedro Vinícius, Mateus Jóia, Landa de Melo, Maria Ferreira de Macedo, Gilson Alves, Luiza Esteves, Wender Moura, Zélia Gonzalez.
Arsenal da Esperança - Rua Dr. Almeida Lima, 900 – Brás
(Próximo à estação Bresser-Mooca do Metrô – Entre a Universidade Anhembi-Morumbi e o Museu da Imigração). Informações - (11) 8121-0870. (011) 8708-9563













