sexta-feira, 23 de setembro de 2011
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As instalações onde hoje funciona o Arsenal da Esperança nasceram como Hospedaria de Imigrantes, um enorme conjunto de prédios destinado, desde 1886, a abrigar os recém-chegados a São Paulo. Após cansativa viagem, os imigrantes ficavam na Hospedaria, onde dormiam, faziam as suas refeições, recebiam atendimento médico e conseguiam seus empregos. A casa manteve este mesmo objetivo até os anos 70. Em 1998, no prédio principal da antiga Hospedaria, foi criado o Memorial do Imigrante com o objetivo de preservar, catalogar, pesquisar e divulgar a História da Imigração e memória dos imigrantes que vieram para o Estado de São Paulo. Hoje, portanto, a Hospedaria de Imigrantes de São Paulo continua sendo uma “casa que acolhe”, congregando tanto as funções de preservação da história da imigração quanto de acolhida as pessoas de passagem, que chegam com seus fardos, sofrimentos e projetos e encontram nesse lugar abrigo e respaldo.
1 comentários:
Quem puder assistir no Dolores a saga do menino diamante pode observar como que surge o homem cavalo, pois, assim que nasce o individuo ele é classificado como diamante bruto ou considerado uma simples pedra pelos outros, e pode ver, comparando essas duas peças, que uma introduz a outra.
Primeiro seria interessante assistir a saga do menino diamante, pois no dolores vc descobre como surge o individuo que se destaca e como isso faz surgir a sociedade anonima, pois é preciso muitas pedras, muita escuridão, formada por seres anonimos, por cavalos obedientes e resignados, pra que a luz mais fraca faça brilhar o diamante bruto, e, com esse diamante, pedra igual aos outras, possa-se lapidá-lo e moldá-lo na forma que for mais conveniente naquele momento pelo seu mentor/patrão.
Mas, se esse diamante é uma simples pedra, se esse individuo dentro do coletivo é um diamante, um cavalo de raça e qualidade, e, aqueles que se encontram com ele possuem as mesmas caracteristicas, então porque destacar/valorizar apenas um de um grupo? Pela facilidade de ter apenas um ser a domar de cada vez, geralmente o mais rebelde, o considerado líder do grupo e, domado este, têm-se uma legião de cavalos dóceis, dispostos a se sacrificar em busca de uma condição, de um ideal falso oferecido ao líder, mas que não lhe é entregue, pois o que prende qualquer um de nós não é o que conseguimos, mas a promessa do que podemos conseguir se seguirmos a regra.
E isso, conforme a peça acontece nos mostra que o que recebemos não é o preço do nosso suor, mas é o preço da necessidade, pois, como nos relatos feitos dos moradores do arsenal, vc se encontra numa situação em que não pode ficar recusando trabalho, ou seja, o preço do trabalho deles, do suor deles fica reduzido, e recebem menos do que deveriam, do que outras pessoas cobrariam para fazer o mesmo serviço.
Então quem põe preço no suor?Quem determina quanto vale nosso esforço, nosso trabalho? O patrão?Ele é apenas uma ferramenta, um filtro pra determinar qual dos cavalos de um bando deve ser domado primeiro, determinar qual de uma série de individuos começa a tomar consciencia de que o patrão é seu igual, que o patrão é na verdade menos do que ele, e que por ser menos,por ser poucos, ele se esconde, se defende atacando o grupo incessantemente.
Quem dita o valor de um dia de trabalho?Nós, mais precisamente nossa necessidade de comida, de água, de ter bens à exibir ao outro, de chegar o mais próximo possível do que consideramos ideal, de ignorar o que nos é real, vivendo dentro do possivel, do preço que nos oferecem hoje, com receio de não aceitar, de criticar e acabar perdendo a única chance de trabalho que temos.
Mas afinal, se todos somos diamantes não haveria o porque de se destacar e valorizar um individuo somente, nem haveria de ter tanta desigualdade, tanta exploração, se fossemos capazes de perder o medo e lutar, não contra o patrão, mas contra a nossa resignação em sermos pedra, contra os tampões que permitimos nos colocar, contra o desejo pela facilidade, pelo ser guiado, comandado.
Bom o espetáculo, uma peça realmente para se refletir, pois de nada me vale salvar um panda da extinção se para isso devo negar a existência de outro individuo, só para que eu seja valorizado como diamante.
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